“As
possibilidades de intervenções que o professor deve fazer para uma criança que
está no processo inicial da construção do conceito de número”. (Parte 3)
Muitos se perguntam
quando é possível abordar a multiplicação e a divisão na escola?
Estas operações já
podem aparecer nos primeiros anos do Ensino Fundamental. As crianças devem
vivenciar a duas operações um trabalho continuo que percorra toda a
escolaridade.
Multiplicação
Na multiplicação a
criança precisa compreender que a palavra vezes que usou é representada.
Ex: Ana arrumou 7 vasos
para vender, e em cada um deles colocou 2 flores.
Pergunta:
Quantos vasos? 7
Quantas flores
em cada vaso? 2
Quantas vezes
estão vendo duas flores? 7
Quantas flores
foram usadas? 14
7x2=14
É importante que a
situação seja representada por desenho assim a criança poderá visualizar o enunciado
com mais clareza. Crie situações onde o aluno possa observar como é possível
resolver multiplicações. Variar as quantidades, criando novas situações fará a
percepção do aluno se ampliam. A multiplicação em seu aspecto aditivo, lida com
número de natureza diferente: um dos números conta grupos e o outro conta
quantos são os elementos por grupo. Esta pode ser uma brincadeira onde crianças
aprendem e compreendem a idéia aditiva de multiplicar, brincando, vivenciando
concretamente situações que apareçam multiplicações, montando grupos, variando
e criando histórias, realizando jogos.
E a tabuada? Será que a
tabuada é necessária para o ensino da matemática? Como as crianças entenderão o
processo de multiplicação?
Hoje entendemos que
este é só um resultado decorado, sem sentido para a criança. No futuro, maior,
as crianças conhecerão resultados de multiplicação de memória, mas irão
memorizar jogando e brincando, preparado para ações e situações concretas de
forma clara, simples e divertida. As tabuadas são importantes, porém é mais
importante que a criança perceba a construção da ação de multiplicar, a tabuada
não é o começo e o resultado não depende dela. Ocorre quando temos várias vezes
uma mesma quantidade, sabendo isso a criança terá compreendido o que é
multiplicar.
“Multiplicar é um
raciocínio diferente de somar, uma vez que na multiplicação aditiva a natureza
dos números é diferente. Relembrando, um dos números conta grupos e o outro
conta quantos elementos há em cada grupo” Luzia Faraco Ramos, 2009.
Até o 5º ano do ensino
fundamental é importante trabalhar os três tipos de conceitos do campo
multiplicativo: a proporcionalidade,
a organização retangular e a combinatória.
Na proporcionalidade os
elementos têm uma regularidade.
Ex: um pacote de
figurinhas tem 5 figurinhas, 2 têm 10, 3 têm 15, etc.
Na organização
retangular, trabalhamos a idéia de área. Utiliza a noção de linhas e colunas. Terá
maior sentido se a multiplicação envolver uma concepção geométrica.
A análise combinatória,
os desafios são desenvolver combinações. Estes exercícios devem ser adaptados
para as crianças entenderem. Fazer representações por meio de desenho auxilia
no processo de contagem.
Estes são exercícios
que podem ser trabalhados com as séries iniciais do ensino fundamental. Quando propostos
os desafios, as situações-problema, as maneiras de calcular devem ser
discutidas pelos alunos que irão propor hipóteses e deve ser validada pelo
professor. À medida que a grandeza dos números cresce é hora de sistematizar o
conhecimento. Lembrando que a base da ação estará clara para o aluno.
Divisão
Na divisão utilizamos
situações totalmente diferentes: distribuir
e formar grupos.
Na ação de distribuir
sei quantos são os grupos e quero encontrar quantos elementos ficam em cada
grupo.
Ex: tenho 15 doces e
quero distribuí-los em 3 pratos. Quantos doces vou colocar em cada prato?
15:3= 5
Na ação de formar
grupos eu sei quantos elementos ficam em cada grupo e quero saber quantos
grupos consigo formar.
Ex: tenho 15 doces e
quero colocar 3 doces em cada prato. Quantos pratos consigo formar?
15:3= 5
O desenho pode ajudar a
criança a perceber com facilidade essas situações que envolvam a divisão.
Distribuir para a
criança é uma forma natural, elas fazem isso desde pequenas. Dividem brinquedos,
quando forma times ou equipes e quando dividem bala entre os amigos “Uma pra
mim, uma pra você”. O professor deve explorar essas situações do cotidiano para
desenvolver a percepção dos alunos. O ato de distribuir pode ser trabalhado com
os alunos do 2º ano e quando este conceito for seguramente entendido, já por
volta do 3º ano o professor poderá propor situações em que possam formar
grupos. Junto com os alunos eles devem identificar as ações de distribuir e
formar grupos.
Conclusão
As operações
matemáticas são ações realizadas no cotidiano, através do significado aplicado
ao número a criança poderá compreender e vivenciar situações que envolvam
quantidades, transformando estados quantitativos iniciais em função de ações
concretas. Gradativamente a criança construirá suas relações entre os conceitos
das operações, mesmo que isso não ocorra de imediato, será o início seu futuro
aprendizado.
Aqui encerra nosso tema
“As possibilidades de intervenções que o professor deve fazer para uma criança
que está no processo inicial da construção do conceito de número”. Esperamos ter
contribuído para o processo de ensino da matemática e que esta seja uma
ferramenta para o trabalho do professor.
Referências:
Ramos, Luzia Faraco
Conversas sobre
números,ações e operações: uma proposta criativa para o ensino da matemática
nos primeiros anos/ Luzia Faraco Ramos. São Paulo: Ática. 2009
docs.google.com/a/aedu.com/file/d/0B-OvG8cS-tCkZ2VXbkxjUEs2VVk/edit.
Acesso em: 25 ago. 2014.
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Acesso em: 25 ago. 2014
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