terça-feira, 2 de setembro de 2014

“As possibilidades de intervenções que o professor deve fazer para uma criança que está no processo inicial da construção do conceito de número”. (Parte 3)

Operações matemáticas: Multiplicação e Divisão

Muitos se perguntam quando é possível abordar a multiplicação e a divisão na escola?
Estas operações já podem aparecer nos primeiros anos do Ensino Fundamental. As crianças devem vivenciar a duas operações um trabalho continuo que percorra toda a escolaridade.

Multiplicação

Na multiplicação a criança precisa compreender que a palavra vezes que usou é representada.
Ex: Ana arrumou 7 vasos para vender, e em cada um deles colocou 2 flores.
Pergunta:
Quantos vasos?  7
Quantas flores em cada vaso? 2
Quantas vezes estão vendo duas flores? 7
Quantas flores foram usadas? 14
7x2=14

É importante que a situação seja representada por desenho assim a criança poderá visualizar o enunciado com mais clareza. Crie situações onde o aluno possa observar como é possível resolver multiplicações. Variar as quantidades, criando novas situações fará a percepção do aluno se ampliam. A multiplicação em seu aspecto aditivo, lida com número de natureza diferente: um dos números conta grupos e o outro conta quantos são os elementos por grupo. Esta pode ser uma brincadeira onde crianças aprendem e compreendem a idéia aditiva de multiplicar, brincando, vivenciando concretamente situações que apareçam multiplicações, montando grupos, variando e criando histórias, realizando jogos.
E a tabuada? Será que a tabuada é necessária para o ensino da matemática? Como as crianças entenderão o processo de multiplicação?
Hoje entendemos que este é só um resultado decorado, sem sentido para a criança. No futuro, maior, as crianças conhecerão resultados de multiplicação de memória, mas irão memorizar jogando e brincando, preparado para ações e situações concretas de forma clara, simples e divertida. As tabuadas são importantes, porém é mais importante que a criança perceba a construção da ação de multiplicar, a tabuada não é o começo e o resultado não depende dela. Ocorre quando temos várias vezes uma mesma quantidade, sabendo isso a criança terá compreendido o que é multiplicar.
“Multiplicar é um raciocínio diferente de somar, uma vez que na multiplicação aditiva a natureza dos números é diferente. Relembrando, um dos números conta grupos e o outro conta quantos elementos há em cada grupo” Luzia Faraco Ramos, 2009.

Até o 5º ano do ensino fundamental é importante trabalhar os três tipos de conceitos do campo multiplicativo: a proporcionalidade, a organização retangular e a combinatória.

Na proporcionalidade os elementos têm uma regularidade.
Ex: um pacote de figurinhas tem 5 figurinhas, 2 têm 10, 3 têm 15, etc.

Na organização retangular, trabalhamos a idéia de área. Utiliza a noção de linhas e colunas. Terá maior sentido se a multiplicação envolver uma concepção geométrica.

A análise combinatória, os desafios são desenvolver combinações. Estes exercícios devem ser adaptados para as crianças entenderem. Fazer representações por meio de desenho auxilia no processo de contagem.

Estes são exercícios que podem ser trabalhados com as séries iniciais do ensino fundamental. Quando propostos os desafios, as situações-problema, as maneiras de calcular devem ser discutidas pelos alunos que irão propor hipóteses e deve ser validada pelo professor. À medida que a grandeza dos números cresce é hora de sistematizar o conhecimento. Lembrando que a base da ação estará clara para o aluno.

Divisão

Na divisão utilizamos situações totalmente diferentes: distribuir e formar grupos.
Na ação de distribuir sei quantos são os grupos e quero encontrar quantos elementos ficam em cada grupo.
Ex: tenho 15 doces e quero distribuí-los em 3 pratos. Quantos doces vou colocar em cada prato?
15:3= 5

Na ação de formar grupos eu sei quantos elementos ficam em cada grupo e quero saber quantos grupos consigo formar.
Ex: tenho 15 doces e quero colocar 3 doces em cada prato. Quantos pratos consigo formar?
15:3= 5

O desenho pode ajudar a criança a perceber com facilidade essas situações que envolvam a divisão.
Distribuir para a criança é uma forma natural, elas fazem isso desde pequenas. Dividem brinquedos, quando forma times ou equipes e quando dividem bala entre os amigos “Uma pra mim, uma pra você”. O professor deve explorar essas situações do cotidiano para desenvolver a percepção dos alunos. O ato de distribuir pode ser trabalhado com os alunos do 2º ano e quando este conceito for seguramente entendido, já por volta do 3º ano o professor poderá propor situações em que possam formar grupos. Junto com os alunos eles devem identificar as ações de distribuir e formar grupos.

Conclusão
As operações matemáticas são ações realizadas no cotidiano, através do significado aplicado ao número a criança poderá compreender e vivenciar situações que envolvam quantidades, transformando estados quantitativos iniciais em função de ações concretas. Gradativamente a criança construirá suas relações entre os conceitos das operações, mesmo que isso não ocorra de imediato, será o início seu futuro aprendizado.
Aqui encerra nosso tema “As possibilidades de intervenções que o professor deve fazer para uma criança que está no processo inicial da construção do conceito de número”. Esperamos ter contribuído para o processo de ensino da matemática e que esta seja uma ferramenta para o trabalho do professor.


Referências:
Ramos, Luzia Faraco
Conversas sobre números,ações e operações: uma proposta criativa para o ensino da matemática nos primeiros anos/ Luzia Faraco Ramos. São Paulo: Ática. 2009

docs.google.com/a/aedu.com/file/d/0B-OvG8cS-tCkZ2VXbkxjUEs2VVk/edit. Acesso em: 25 ago. 2014.

docs.google.com/a/aedu.com/file/d/0B-OvG8cS-tCkTnVJMEdoUDIteWM/edit. Acesso em: 25 ago. 2014




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